quarta-feira, 8 de junho de 2011

BIOGRAFIA

Sabe quem sou eu?
Olhe o meu rastro,
Volte os meus passos
Por onde andei.
Veja o que eu vi,
Passe o que eu passei,
Sofra o que sofri
E chore o que chorei.
Mas mesmo assim,
Viver o que vivi,
Amar o que amei,
Sonhar os sonhos meus
E tudo que eu contar
Verá que não sou eu...
Porque mudei.


08/04/2009

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Absurdamente plausível...?

Há situações inimagináveis nesta vida, mas sempre fica a pergunta pro absurdo: Por que não? Foi numa dessas noites de bebedeira e revolta sem causa que Frederico decidiu atravessar o país viajando em ônibus intermunicipal. Não bastasse a idéia maluca, decidiu que pediria para passar por baixo da catraca; de tal maneira, viajaria o Brasil sem pagar nada - pois, até as sonecas seriam levadas nos bancos do "busão". O destino dele era incerto, poderia ser o Norte ou o Nordeste - apenas queria atravessar o Brasil. Depois de embarcar em mais de vinte intermunicipais diferentes, chegou em São Paulo. Desceu numa avenida da Zona Sul a qual nem lembra mais o nome. Pensou em pegar um intermunicipal e seguir à próxima cidade imediatamente, mas foi efêmero. Pensou melhor e concluiu que deveria conhecer esta cidade que é tão rica quanto o país que nosso herói quis desbravar. Embarcou num coletivo que desceu em plena Augusta em hora apropriada para a esbórnia: 23h28min.
Entrou num desses bares quaisquer, onde não faltam mulheres que procuram homens, mulheres que procuram mulheres; homens que procuram mulheres, homens que procuram homens e pessoas que procuram diversões diversas. Embriagados estavam todos: uns menos, outos mais. Pediu uma Cristal gelada e ouviu do balconista que com um leve sorriso debochado no canto da boca, disse:
- Só Skol, Brahma, Bohemia e Original, patrão! Cristal? Aqui, não!
- Na minha cidade essa é a melhor. Aqui não tem por quê?
- Porque, aqui, ela é a pior!
- Realmente, a água de Boituva é bem mais limpa e saborosa que a daqui!
O paraibano, respondeu em tom áspero:
- E, desde quando água tem sabor?
Apesar de já alimentar antipatia pelo serviçal, ele tentou responder em tom moderado:
- Hoje em dia, tem água com sabor ferrugem, barro, caixa d´água suja e cloro com flúor. Aliás, você sabia que o flúor é um resíduo químico do alumínio que faz mais mal do que bem?
- Você quer a cerveja ou não? Flúor é bom para os dentes, rapaz!
Frederico, olhou fixamente nos olhos de Éberte Rixarde (nome dado pela mãe que adorava as sessões de SuperCine dos sábados da década de 80, onde sempre ouvia no começo do filme "versão brasileira Herbert Richards) e respondeu ao rapaz do balcão:
- Uma Skol litro. O efeito do flúor é o mesmo causado por uma escovação dental bem feita. Mas, você está certo! (concluiu Frederico, ironizando)
Frederico pegou a garrafa e se sentou numa mesa que beirava a entrada do local. Havia tomado banho num albergue estudantil de Santo André quando ainda era a tarde. Por isso, estava disposto e determinado a encontrar uma mulher com quem pudesse prolongar esta noite. Mas, na vida nem tudo é como queremos - clichê, mas real – ou, ao menos, no momento que queremos. Esperava, justamente numa mesa próxima a entrada por pensar que isso facilitasse um eventual flerte (azaração - para os mais jovens e/ou menos cultos) com uma bela mulher que chegasse ao recinto. Porém, eis que chega – com os passos fora de ritmo e pernas trançando; olhos vermelhos: efeito de algum entorpecente, provavelmente – um cidadão que, de longe, delatava cilada. E, o dito cujo se apoiou bruscamente na parede de vidro que decorava a entrada do bar. Neste instante, seus olhos estrábicos miraram os de Frederico; a criatura entrou no bar e fez um pedido para o nosso amigo Fred:
- Oh... Oh, irmão, tem um cigarro aí?
Controlando a gargalhada, após ouvir a voz extremamente embriagada do fulano que chegava, Fred responde:
- Eu não tenho. Tô tentando parar de fumar...
- Oh... irmão, na humildade, posso catá um copo pra dá uns gole cum você?
A princípio, Frederico ficou irritado com a forma vulgar do bêbado chegar e falar – a forma tradicional de cada 9 entre 10 bêbados das ruas – mas, não percebeu maldade no pobre-diabo, que mesmo não sendo boa coisa, não era mal, também. E, propôs ao infeliz:
- Você pode pegar um copo, mas só se ficar aqui pra gente trocar idéia.
- Oh... truta, Antônio, satisfação!
- Frederico, satisfação, Antônio!
- Vô lá pedi um copo e já colo.
- Beleza!
Na volta, o homem já parecia estar mais sóbrio – mesmo que passados dois ou três minutos.
Parecia estranho, até fingimento de Antônio na chegada. Mas, Fred sequer disse algo a respeito da sobriedade súbita. E começou perguntando:
- Bebeu legal hoje, Antônio, né?
- Bebi, chapa! Eu saí do bote que eu tava por que tem muito nóia lá. Os cara cheiram toda semana, tá tudo desandado e são tudo playboy: estuda e pá. Os mané começa a falar de política, música e livro. Mó conversinha de “chaibe” do caralho!
- E, você usa alguma droga também?
- Eu já cheirei, fumei pedra e desandei uns barato de casa, tá ligado mano?! Mas, sou sujeito home. Hoje em dia, eu só fumo um baseadinho quando acordo e uns antes de durmi. Colo nuns funk, pego várias mina. Levo pro abate, deixo elas toda arrepiadinha.
- Sei... sei. Tô entendendo!
- Aí, mano... Cê perguntou se eu uso droga. Cê curte? Se quisé eu vô num corre ali nos muleque e só põe um tirinho aí pra mim ressucitá, firmeza?!?!
- Eu não uso drogas! Apenas tenho contato com elas todos os dias. O mundo não nos poupa disso.
- Aê, pode crê! Cê tem um procedê, mano!
- É! Eu tenho.
De repente, Antônio olha pra fora do bar e vê uma conhecida passando e fumando um cigarro. Levanta-se da mesa afobado e gritando em direção à rua:
- Suzanna!!! Suzanna!!!
Frederico fica meio confuso, sem entender nada...
Suzzana olha e responde ao chamado com simpatia:
- Oi Tonho! Você quer um cigarro?
Antônio responde:
- Quero gatinha!
Realmente, Suzanna era linda. Uma pequena grande mulher de 1,59 m. de altura, 49 kg. muito bem distribuídos em um corpo escultural e inspirador das mais maravilhosas canções e poesias. Fora os atributos físicos, sua história resumida: morava com a mãe num “apertamento” da Bela Vista, trabalhava como vendedora de uma loja chique do Shopping Paulista; seu pai havia falecido no acidente do avião da Vasp em 89, a mãe tinha namorados os quais ela mantinha uma relação apenas cordial; aos 23 anos, ela estava no quinto semestre de fisioterapia e voltando a ter relações heterossexuais – estava cansada de transar com mulheres e queria encontrar um cara legal. Até então, ela saía com rapazes que a atraíam muito, mas não acrescentavam nada, ou quase nada...
E, talvez justamente por isso – mesmo sem ainda conhecer livro, porém, observando a capa – Frederico não entendia nada do que estava acontecendo. Continuou mais um pouco sem entender...
Suzanna perguntou:
- O que você tá fazendo de bom, Tonho?!
- Tô pagando umas cervas ali pro mano que conheci agora. Quer ir lá?
- Quem é ele?
- Pô gata, nem sei direito... Ele sentou agora pouco lá na mesa que eu tava. Só sei que ele chama Frederico.
- Ele chama Frederico, mas como ele se chama? (brincou Suzanna)
- Frederico, gata! Frederico!
Como a maioria das pessoas deste país, ele não entendeu o que ela quis dizer – e, ainda pensou que ela fosse surda ou burra; somente pensou, pois ele não tinha coragem de contrariar uma mulher tão linda quanto Suzanna. Antônio é o tipo de pessoa que fala mal justamente de quem se parece com ele, e é um praticante de antropolatria dos “fodões” do mundo cool.
Suzanna aceitou o convite e entrou no bar. Antônio fez a cerimônia:
- Frederico, essa é a Suzanna. Suzanna, esse é o Frederico.
Os dois se olharam com um breve sorriso seguido de uma fisionomia libidinosamente séria, porém, tranqüila. Neste momento, Fred liberava tanto testosterona quanto Suzanna estrogênio. Mas, isso era uma reação fisiológica que os dois saciaram mais tarde, ou não...
Frederico disse:
- É um prazer, Suzanna!
- Prazer é meu, Fred! (disse Suzanna, com o olhar levemente devorador)
- O que você bebe?
- Tequila!
Antônio intercedeu:
- Querem que eu pegue? Aproveitando... Posso pegar uma pura, Fred?
- Ê Tonho!!! Você é quem está pagando, nem precisa pedir... (debochou Suzanna que já sabia das habituais ostentações de Tonho com coisas alheias)
- É... verdade, né? (respondeu Antônio, tentando parecer que estava debochando também)
Frederico avalizou:
- Pega lá, Tonho! Aliás, posso te chamar de Tonho?
- Pode sim, chapa. Fechou!
Enquanto Tonho estava a caminho do balcão, encontrou uma galera conhecida que queria se dopar. Eles pediram a Tonho que ele trouxesse “baratos” para que a noite fosse, segundo eles, mais intensa. Ricardo o havia chamado:
- Tonho!
- Fala Ric! Tá querendo uns “entorpe”?
- Tô sim, Tonhão! Tô com umas vagabundinhas lá da São Francisco. Elas tão maluquinhas e querem dar uns “teco”. Vou levá-las pro flat do meu pai, na Alameda Santos, e tomar whisky a noite toda – regada a sexo.
- ÔH!!! Eu posso colá?
- Até pode, mas não sei se vai ter mulher pra você...
- Beleza! Eu fico bebendo!
- Mas, terá alguns fraternos lá, viu? Nem arrasta.
- Pô Ric, quando você vai me colocar no seu clã?
- Você ainda é profano! E ninguém pode entrar sem estar preparado. Comece a estudar filosofia e ganhar dinheiro que a gente conversa, ok?! (completou Ricardo, com anseio de que Tonho tivesse ainda mais esperança do que a habitual)
- Beleza, Ric! Eu vou levar as “bebida” que meus colegas pediram e volto pra “colá” cum você!
Falta dizer quem é Ricardo: um estudante de direito do largo São Francisco, filho de um empreiteiro paulista que fez fortuna superfaturando obras nos governos de Maluf, Quércia, Fleury, Alckmin e Kassab. Como herdeiro de um milionário, sua vida era transar com o maior número de mulheres possíveis – apenas para ostentar àqueles que ele pensava serem amigos -, praticar rituais satânicos – que, para ele, o transformariam um dia num membro da Skull And Bones ou da neo Ku Kux Klan. Enfim, era um filho doente da elite que queria agrupar-se com seus iguais e tentar dominar o mundo. Mas, o que ele não sabe é que o mundo já tem dono... Aliás, me lembrei de uma “história” que eu li em Dom Casmurro. Foi mais ou menos assim:
O Senhor do Universo era maestro da escola de música dos céus. Ele compunha as mais fantásticas obras musicais. Os anjos, todos, eram regidos e adoravam a Ele. Um dia, Lúcifer (o seu melhor pupilo) criou uma sinfonia de 666 minutos e apresentou aos seus colegas de labuta. Isso provocou a ira do Senhor maestro. Não bastasse apresentar a obra sem consentimento divino, a sinfonia era a mais bela já vertida. Deus o expulsou dos céus - 9 mil anjos com propensões à vaidade também acompanharam Lúcifer por conta própria. Passado algum tempo, Lúcifer bate na porta dos céus e implora para falar com Deus, é atendido e diz:
- Senhor, vós me criaste e me ensinaste a compor e construir as mais belas obras. Sou apenas seu aprendiz, mas gostaria de expor – suspenso no Universo – minha mais nova criação. Deixe-me apresentar ao cosmos o que fiz?!
Deus permitiu que a obra luciferiana fosse exposta, suspensa no Universo com uma condição: que houvesse vida inteligente nessa obra.
E Lúcifer expôs, na terceira órbita do Sol, a sua obra: O planeta Terra.
Bem, essa “história” não é minha. Então, voltemos ao Frederico e Suzanna – que estavam conversando, descontraídos; enquanto Tonho procurava mais uns biscates para continuar mais uma noite de SOBREVIVÊNCIA.
Suzanna perguntou a Frederico:
- De onde você é e como conheceu o Tonho?
- Su... Posso te chamar assim?
- Pode!
- Então... eu trabalho por temporadas e fico meses à toa, ou melhor, lendo e tentando descobrir coisas novas. Eu estava ficando meio paranóico de ver vídeos da teoria da conspiração no Youtube... Completei a merda toda quando li Os Protocolos dos Sábios de Sião depois de completar o Manual do Guerrilheiro Urbano. Enfim, eu estava enlouquecendo e decidi conhecer o mundo pelos meus próprios olhos e experiências. (respondeu Fred, com seriedade e bom humor, sem explicar como conheceu Tonho – Suzanna esqueceu-se de indagar novamente)
- Mas a gente não deve se preocupar com o mundo, gato! Devemos cuidar da gente!
- Da gente? Está me propondo um relacionamento? (brincou Fred)
- Tô! Ali... Aliás, não seu bobo! (respondeu Suzanna gaguejando)
- Eu entendi, moça!
- Para onde você pretende ir esta noite? (perguntou Suzanna)
- Para onde a noite termine bem e eu seja bem vindo!
- Você está em algum hotel?
- Não, Su! Cheguei em Sampa há poucas horas...
- Então, você deve estar falando da minha casa. Vamos pra lá?
- Um convite desses é irrecusável. Vamos, sim!
- Prometo que cuido direitinho de você, gato!
- Humm... O cuidado será recíproco!
Fred e Suzanna saíram do local, mas antes deram uns trocados para Tonho e avisaram que estavam indo para outro lugar.
No caminho, ao atravessar a ponte da Kilt, subindo a Nestor Pestana, veio um carro esportivo em disparada e quase acertou-os em cheio – não fosse Fred puxá-la com força para o outro lado da rua, fazendo Suzanna cair precisamente em cima dele. A garota ficou agradecida por ter sido salva e disparou com um sorrisinho safado estampado no rosto:
- Eu gosto de ficar por cima, também. Mas prefiro que seja na cama ao invés da rua.
- Que delícia... Então, que seja na cama. Tem de ser muito bom pra você, também. Senão, não será pra mim.
- Você é tão fofo. (completou nossa garota sensual com sorriso na voz)
Levantaram-se, com leves escoriações – que não atrapalhariam que a aventura do novo casal fosse cheia de posições do Kamasutra, línguas, arrepios, orgasmos múltiplos e outras carícias mais...
Aliás, isto me fez lembrar uma “história milenar” que é mais ou menos assim...
Estavam todas as mulheres em uma reunião com São Pedro:
Queremos fazer três reclamações e esperamos ser atendidas. São Pedro pega um lápis e um papel...
- Podem falar!
- Primeiro: queremos menstruar a cada seis meses em vez de todo mês. São Pedro anota o primeiro pedido.
- Segundo: queremos ficar grávidas só por três meses porque 9 meses é muita coisa! São Pedro anota o segundo pedido e fala: E qual e o terceiro?
- Queremos que o pênis seja mais bonito porque realmente é horrível! São Pedro anota tudo e fala para se reunirem em um mês para dar as respostas de Deus. Um mês depois todos voltam a se reunir. São Pedro começa o discurso:
- O pedido nº1 foi aceito parcialmente, vocês vão menstruar a cada quatro meses, porque o pedido de seis meses é muito longo e isso alteraria o objetivo da Criação... O pedido nº2 também foi aceito só parcialmente. A gravidez será de seis meses porque três meses é muito pouco. Isso alteraria o objetivo da Criação... Já o terceiro pedido foi negado totalmente por Deus. As mulheres começaram a berrar e reclamar:
- Por que, Senhor?
São Pedro responde: Porque se feio, peludo e desajeitado vocês chupam, lambem, alisam e sentam em cima, se fosse bonito vocês iriam comer! E isso definitivamente alteraria os objetivos da Criação...
Enquanto isso, numa rua fria e iluminada de São Petersburgo, na Rússia - reuniam-se os ministros do Interior e da Economia, ao que um diz ao outro:
- Não sei se foi muita Stolichnaya que bebi, mas acho que ele já passou por aqui em 1917 e em Dallas, em 1963.
- Realmente. Em 1965 ele foi para o Rio de Janeiro, mas os jovens estão aprendendo a lidar com ele e tirar-lhe as forças. Porque ele é minúsculo, mas Ele é quem prevalece. E está em todos os corações, basta encontrarmos dentro de nós mesmos.
Enfim, talvez ainda falte dizer como foi a noite de Frederico e Suzanna? Não!
Ele disse a quem quiser ouvir:
“O que um casal faz entre quatro paredes não é para ser posto em mesa, não é preciso vulgarizar as palavras ditas e explicitar o que os corpos suados do homem e da mulher, entrelaçados, fazem. Este não é o manual do sexo. É uma história real, ou talvez, não. Enquanto somem diamantes na Nigéria e mãos são decepadas, pessoas estão vivendo... Pessoas estão se amando, pessoas estão transando, pessoas estão nascendo – outras, morrendo. Enquanto novos ricos surgem, decadentes se suicidam. Universos paralelos e orixás vestidos de azul e amarelo rei compõem a grande sinfonia que quase ninguém percebe, pois estão embebidos em entretenimento e simbologias. Muitas pessoas rumam à escravidão numa velocidade exponencialmente crescente. Pessoas pagam para serem destruídas, seja comprando drogas ou alimentos industrializados – cheios de agrotóxicos; seja comprando luzes ou jornais e revistas. Enquanto isso, o universo está em expansão. Parece tudo muito complicado, mas é tão simples...”
Tudo isso aconteceu e acontece, ou talvez não. Apenas escolha: acredite ou desacredite. Contudo, o que importa é viver com Amor e Paz nesse ou em qualquer outro mundo. Afinal, há situações inimagináveis nesta vida, mas sempre fica a pergunta pro absurdo: Por que não?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O relógio está correndo

Caros amigos sou um senhor de 88 anos e já vi muitas coisas se passarem diante dos meus olhos... Quando nasci, não havia telefone celular, internet, os extintos DVD´s e CD´s (lembram?), nem sequer sabíamos o mapa genético do homem.
Naquela época, o Brasil era apenas um aspirante a superpotência, os Estados Unidos e Europa eram os grandes centros nervosos da economia mundial. É com grande nostalgia que lembro dos tempos em que as pessoas eram românticas – se enroscavam em ingênuas danças de funk e axé; os universitários gostavam mais de música sertaneja e eletrônica. Mas, havia uma grande diversidade de preferências. Eu, particularmente, gostava de coisas que teus tetravôs amavam. Por exemplo: Bob Marley, Chico Buarque, Beatles, Janis – artistas centenários (risos).
No entanto, estou aqui para dizer a vocês para que não sejam ansiosos. Nestes anos de estrada, descobri que ansiedade e pressa atrasam muito nossas vidas. Não se abalem com expectativas não superadas, nem com as críticas, nem com nada!
Tive, até onde me lembro, umas 4 decepções amorosas e umas tantas surpresas desagradáveis com amigos; algumas tristezas familiares e inúmeras com outras pessoas; também me frustrei diversas vezes em minha funções profissionais... Não estou me lamentando. Por favor, não me entendam mal. Quero falar de minha vida para que vocês tirem algum proveito de minha história e mudem, se acreditarem que devem mudar. Fui muito inconseqüente por anos e se eu não tivesse obedecido meu ‘sexto-sentido’, talvez eu nem estivesse mais vivo.
A grande dádiva de minha existência foi ter percebido que podemos fazer tudo, mas não podemos fazer tudo para sempre. Há tempos em que podemos ser levianos, imaturos e ingênuos; em outros, devemos ser responsáveis, preparados e ficarmos atentos. Ou seja, bebi, fumei e abusei de tudo enquanto meu corpo era mais resistente e obtive prazer das coisas do mundo – isso me agregou valores, pelo incrível que pareça. Mas, também fiz ioga, acupuntura, terapias, criações – sempre pra exercitar a mente e não vulgarizar minha existência. Este é o segredo da perdição mundana: não se perder, apenas gozá-las.
A segunda grande dádiva de minha vida foi ter um sonho, um GRANDE SONHO! Não sonhe com pouco, nem queira pouco. Faça planos tidos como impossíveis para tuas vidas e se esforcem ao máximo para alcançá-los. Se não conseguirem o impossível, terão conseguido algo grande dentro do possível, e isso é FANTÁSTICO!
Enfim, tive tristezas e decepções em minha vida. Contudo, estou vivo! E bem, o que é o MELHOR de tudo. Houve inúmeras alegrias e ainda lembro-me delas. É por isso que sou feliz e que momentos bons sempre se fazem presentes em minha vida. Pois, penso e vejo o lado bom das situações. Quero dizer que devemos viver e se entregar para a vida. O resultado depende de você perceber o momento de sair ou continuar na rua onde entrou. Percebe?
A propósito, convido vocês a visitarem minha Fundação Educacional. Inauguraremos o MUTO (Museu de Tecnologia Obsoleta). Tenho certeza que vocês ficaram espantados com a quantidade de invenções praticamente desconhecidas atualmente e que teus avôs usavam na juventude. Já ouviram falar em MP3, MP10, CD, DVD, PC, Notebook, Cabo de Rede, Televisão de Cátodos, Telefone Celular... Enfim, tem muita novidade antiga.

Plancid, 17 de novembro de 2074.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

III do confundismo

O pensamento é complexo, desconexo e inconteste
A idéia tem função de lógica para montar esse quebra-cabeça
de pensamentos... mas, são tantos os fundamentos que difícil é chegar
a fundar algo. Como responder a tais questões de forma hermética se sempre - parece-me -
vai faltar o por quê, quando ou onde; o pra quê ou como ?

CUIDADO!

Ande pelos quatro cantos e para descobrir coisas novas, mas, cuidado!
Viva todos os amores que a vida proporcinar-te, mas, cuidado!
Faça tudo que quiseres - sempre e onde quer que esteja - mas, cuidado!
Pense em tudo que deve ser e como deveria ter sido, mas, mais cuidado ainda!
Cuidado com o chão que pisas e com as nuvéns que não ousar andar...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pensar???

"Hoje, pensar é sinônimo de excentricidade - até dizem 'que esquisito, ele(a) pensa demais!!!'. Pensar, nos dias de hoje, é profanar tudo que já está aí (pronto) para nosso direito de viver e dever de não questionar."